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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Ensino técnico ainda enfrenta preconceito - Por Álvaro Campos - Estadão.com.br

"Especialistas defendem maior proximidade entre escolas técnicas e mercado de trabalho e maior flexibilidade nos currículos.

A educação profissional no Brasil cresceu significativamente nos últimos anos graças, em parte, ao Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC), que, mais do que oferecer bolsas, estruturou a área. Mesmo assim, ainda é preciso vencer um velho preconceito arraigado na sociedade de que esse tipo de formação seria inferior ao ensino superior clássico das universidades. 

Especialistas reunidos no evento Fóruns Estadão Brasil Competitivo Educação para o Trabalho, realizado com o apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), na terça-feira, citaram a necessidade de maior aproximação entre escolas técnicas e mercado de trabalho e de maior flexibilidade dos currículos, já que o rápido avanço tecnológico altera as competências exigidas dos profissionais. 

O secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação , Marcelo Feres, lembrou que o ensino técnico no Brasil tem quase 100 anos de história, tendo começado no início do século 20 com os liceus profissionalizantes. Em 2014, foram 1,79 milhão de matrículas nesse tipo de curso, um crescimento de 23,6% ante o ano anterior, sendo 52% na rede pública. 

Segundo ele, a meta 11 do Plano Nacional de Educação, que prevê triplicar o ensino profissional até 2024, é ousada, mas reflete um desejo da sociedade, que passou a dar mais valor a esse tipo de formação. “O alcance dessa meta depende de esforços conjuntos do governo, setor produtivo e sociedade”, comentou. Para Feres, isso não pode ser feito de forma muito acelerada, caso contrário não seria sustentável. “Temos de equilibrar o crescimento de matrículas com a qualidade dos cursos. Esse é o caminho que estamos priorizando.” 

Articulação. 
Feres lembrou que um dos desafios é implementar um sistema nacional de avaliação da educação profissional, já que o que existe atualmente são análises concentradas em instituições e cursos. O secretário defendeu também uma maior articulação entre instituições de ensino e o setor produtivo. “É preciso romper com a cultura academicista essa dualidade do processo de formação entre fazer e pensar.” 

Já o diretor geral do Senai, Rafael Lucchesi, afirmou que a qualidade da educação no Brasil está mais perto da África do que dos países desenvolvidos. Ele apontou que só recentemente o País atingiu um tempo médio de escolaridade de 7,5 anos, o que significa 100 anos de atraso em relação aos países desenvolvidos, que registraram esse mesmo número no início do século passado. 

O especialista comentou ainda que, enquanto na Áustria 76% dos jovens fazem um curso profissionalizante concomitantemente com o ensino tradicional, no Japão são 70% e, na Alemanha, 50%. Já no Brasil, esse índice está em torno de 8,5%. “Mais de 80% dos jovens no Brasil não vão para as universidades. É razoável não instrumentalizar essa juventude para o mercado de trabalho? Isso causa impacto na geração de riqueza da sociedade brasileira, na produtividade do trabalho.” 

É preciso remover os preconceitos em relação à educação profissional, segundo Lucchesi, e isso pode ser um contraponto à grande participação das ciências humanas no ensino superior do Brasil. Segundo ele, de cada 100 graduados nas universidades brasileiras, só cinco são engenheiros, um dos menores níveis do mundo. 

A diretora global de Educação do Banco Mundial, Claudia Costin, tem uma visão semelhante sobre o ensino técnico no Brasil. Para ela, é preciso repensar o sistema. “A demanda mundial está migrando para competências não rotineiras. O processo de automatização é enorme, a robotização vai fazer com que muitas profissões desapareçam. Se o jovem não tiver capacidade de se reprogramar, as coisas vão se complicar.” 

Claudia apresentou uma visão um pouco mais otimista que os outros palestrantes. Segundo ela, a taxa de conclusão do ensino básico nos últimos 15 anos teve grandes avanços e, mesmo em termos de qualidade, as coisas melhoraram. A especialista citou o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, conhecido pela sigla Pisa, que mostra que o Brasil foi o País que mais avançou em matemática de 2003 a 2012, apesar de ainda ter pontuação baixa. 

“O Brasil está imerso numa crise, mas precisamos ver além. Às vezes, pensamos muito na conjuntura e esquecemos que o País está construindo coisas para o futuro”, comentou, citando como exemplo de caso de sucesso a feira WorldSkills, realizada no mês passado, na qual o Brasil foi o maior medalhista. 

Lucchesi apontou que um dos argumentos para vencer o preconceito com o ensino técnico e atrair mais jovens pode ser via salários. Segundo pesquisas, o pagamento inicial médio de um profissional técnico é de R$ 2 mil, chegando a R$ 6 mil em dez anos. “Isso já é competitivo com o ensino superior, e o jovem começa a vida profissional antes”, apontou. É uma forma também de contemplar a classe C, onde muitos adolescentes não têm condições de fazer cursos de engenharia, por exemplo, que exigem uma dedicação exclusiva. 

Gestão. 
Questionado sobre o Orçamento de 2016, apresentado pelo governo com um déficit de R$ 30,5 bilhões, o secretário do MEC afirmou: “É falso dizer que não haverá impacto, mas isso não paralisa os esforços que vêm sendo desenvolvidos. A oportunidade que se abre neste momento é de criatividade”.

Lucchesi apontou que o Brasil investe quase 6,6% do Produto PIB em educação, mais do que alguns países desenvolvidos e dentro da média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. “Temos uma enorme deficiência de qualidade na educação, mas o avanço precisa ir além da questão alocativa.”"

Extraído de: http://economia.estadao.com.bro arraigado na sociedade de que esse tipo de formação seria inferior ao ensino superior clássico das universidades.
Especialistas reunidos no evento Fóruns Estadão Brasil Competitivo Educação
para o Trabalho, realizado com o apoio da
Confederação Nacional da Indústria (CNI), na terçafeira,
citaram a necessidade de maior aproximação entre escolas técnicas e
mercado de trabalho e de maior flexibilidade dos currículos, já que o rápido avanço tecnológico altera as compe
profissionais.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Brasil precisa repensar ensino técnico, diz Banco Mundial - por Álvaro Campos - Estadão.com.br

"Diretora global de Educação do Banco Mundial, Claudia Costin, participou de etapa dos Fóruns Estadão Brasil Competitivo sobre educação para o trabalho

SÃO PAULO - A diretora global de Educação do Banco Mundial e ex-secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin, afirmou nesta terça-feira, 1, que o ensino técnico profissional no Brasil precisar se repensar. 

"A demanda mundial por competências está migrando para competências não rotineiras. O processo de automatização é enorme, a robotização vai fazer com que muitas profissões desapareçam. Se o jovem não tiver capacidade de se reprogramar, as coisas vão se complicar", comentou durante mais uma etapa dos Fóruns Estadão Brasil Competitivo, cujo tema desta edição é Educação para o Trabalho.

Claudia mostrou uma posição um pouco mais otimista que os outros palestrantes. Ela comentou que a taxa de conclusão do ensino básico nos últimos 15 anos teve grandes avanços e que, mesmo em termos de qualidade, as coisas melhoraram. Ela citou o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, conhecido pela sigla PISA, que mostra que o Brasil foi o País que mais avançou em matemática de 2003 a 2012, apesar de ainda ter uma pontuação baixa, atrás de países como o México, por exemplo.
A diretora global de Educação do Banco Mundial, Claudia Costin Foto: FELIPE RAU/ESTADÃO

"O Brasil está muito imerso em uma crise, mas precisamos ver além. Às vezes nós pensamos muito na conjuntura e esquecemos que o País está construindo coisas para o futuro", comentou, citando como exemplo de caso de sucesso a feira World Skills, realizada no mês passado, na qual o Brasil foi o maior medalhista.

Entre os desafios pela frente, Claudia elencou a necessidade de criar programas ponte, em que os ingressantes de cursos profissionalizantes tenham aulas de reforços para competências básicas e sobre o mercado do trabalho. "Hoje, quase 60% dos operários qualificados não conseguem ler o manual de uma máquina", aponta. A representante do Banco Mundial também disse que é preciso fortalecer a governança das instituições e melhorar o processo de garantia de qualidade e fluxo de informação, além de cultivar vínculos com potenciais empregadores.

Já o professor da FGV André Portela Souza comentou que o Brasil passa por mudanças populacionais muito rápidas e que o bônus demográfico se reduzirá drasticamente em pouco tempo. Lembrando que crescimento econômico depende de aumento da produtividade, ele mencionou que o ponto-chave é combinar a distribuição de talentos com postos de trabalho. "Uma empresa não cria postos de trabalho altamente avançados em tecnologia se não tiver trabalhadores para aquela vaga. E uma pessoa não vai querer se formar se não tiver um posto de trabalho para aquela profissão", explicou.

O pesquisador citou estudos que mostram que só 22% dos egressos dos cursos profissionalizantes trabalham atualmente na área em que se formaram, sendo que 58% nunca sequer passaram por aquele setor. "Há um descasamento entre a estrutura de postos de trabalho e a oferta de educação profissionalizante. Uma das hipóteses é que o mercado de trabalho muda muito rápido, mas nós também podemos estar achando que a nossa jabuticaba é melhor que as outras", criticou, afirmando que é preciso flexibilizar a oferta de vagas."

Texto extraído de: http://m.economia.estadao.com.br

terça-feira, 1 de abril de 2014

Cooperação entre SENAI_SP e CEETEPS

Na última terça-feira, 01 de abril de 2014, a equipe do Núcleo de Estudos de Currículo da Educação Profissional e Tecnológica (NECEPT), reuniu-se com o coordenador da Unidade de Ensino Técnico e Médio (CETEC) do Centro Estadual de Educação Profissional e Tecnológica Paula Souza (CEETEPS), professor Almério Melquíades, e com o auditor educacional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (SENAI-SP), professor José Carlos Manzano. A intenção da conversa foi estabelecer formas e estratégias para aproximar as instituições visando uma cooperação e uma troca de experiências relacionadas com a elaboração de currículos da educação profissional. Atualmente estas duas instituições detém o maior número de vagas oferecidas nesta modalidade de ensino no Estado de São Paulo.  
Na foto, o professor José Carlos Manzano (SENAI-SP) e a professora Carolina Marielli (NECEPT).